Arquivo do mês: outubro 2009

He brought Joy to my Soul!

arte JOy to my soul


Juntos e misturados. Nunca embolados!

Nó!

Branco no preto. Azul com amarelo. Pedra e pau. Norte e sul. Sempre assim num mesmo ritmo. Moçambique e África do Sul. Amo a multiculturalidade que tem feito parte de mim.  Talvez os inteligentes e pensadores tenham uma definição especifica a respeito do conceito multiculturalidade. Um dia ouvi dizer que o multiculturalismo é o reconhecimento das diferenças, da individualidade de cada um. Daí então surge a confusão: se o discurso é pela igualdade de direitos, falar em diferenças parece uma contradição. Mas não é bem assim. A igualdade de que se fala é igualdade perante a lei, é igualdade relativa aos direitos e deveres. As diferenças às quais o multiculturalismo se refere são diferenças de valores, de costumes etc, posto que se trata de indivíduos de raças diferentes entre si.

Sejam quais forem as exigências do mundo globalizado, atualmente se afirma a certeza do necessário convívio em uma sociedade cuja realidade é multicultural. Para tanto, é preciso que se reconheça e se respeite as diferenças próprias de cada indivíduo. O reconhecimento da diferença é ponto de partida para que se possa conviver em harmonia, não com os iguais, já que igualdade só deve existir do ponto de vista legal, mas do ponto de vista humano, social, o que nos interessa é realmente ser diferentes. Eu gosto de pensar por vários pontos de vista. Gosto de ser intimo e pessoal com relação aos temas pelo qual sou interessado.

Depois de ter passado por diferentes países, conhecido diferentes pessoas estou conhecendo meu coração um pouco mais. Acho que esse é e sempre será o meu grande desafio. Saber quem eu sou e o que Deus quer de mim. Tirei esse ano para pensar! 2009/2010 é o ano da graça pra mim. O ano em que dei a mim mesmo a oportunidade de ser feliz de verdade. Caminhamos lá e cá mas muitas vezes não sabemos se estamos dando o passo acertado.

Essa semana falava com um amigo e senti que ele estava perdido. Estava perdido nele mesmo, perdido no que fazer do futuro. É difícil pensar no próprio futuro! O mais injusto é que vivemos num mundo onde a urgência de decisões nos força a tomar certas atitudes que muitas vezes não estão amadurecidas ainda.

Quando somos crianças nossos professores, pais e amigos sempre perguntam:  “Pedrinho! O que você quer ser quando crescer?” As respostas são sempre as mesmas. Medico, Professor, Advogado, engenheiro! Nada muito acertado! Nada concreto pois a esta altura da vida, Pedrinho ainda não sabe quem ele é! Não sabe o que o tornará feliz! Uma pergunta, um tanto, injusta com o menino, não acham?

Depois de viver na pele de Pedrinhos ou Mariazinhas pelo mundo definitivamente é tempo de pensar acertado! Chega de viver o sonho dos outros! É tempo de viver o sonho que há em nosso próprio coração. Uma grande amiga me diz sempre que Deus sonha com nossos sonhos. Isso é fato. Nesse tempo de novidade pro meu coração tenho aprendido que o respeito é algo que precisa ser cultivado de forma fecunda. Entender o outro. Olhar por um outro ponto de vista é algo que precisa fazer parte da minha forma natural de pensar. Não pode ser algo racional. Tem que vir de dentro! Não é lei é amor é vida.

Quando falo isso me refiro ao exercício da paciência! Esse é um dos meus espinhos. Como diz São Paulo em uma de suas cartas aos Coríntios diz: “Para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade.” II Cor 12, 7. Ser paciente! Principalmente comigo mesmo! Me dar o direito de errar, de ser fraco, de ser frágil! Mas nunca aceitar ficar no mesmo lugar. Entretanto, entendendo, amando e sendo caridoso com aquele que está próximo de mim. Nem todos somos iguais! Cada um tem sua velocidade! Cada um tem sua forma de agir e pensar, por isso exercer a paciência junto com a caridade é a minha grande luta cotidiana! Conto aqui um segredo: Toda vez que me pego fora de mim, cobrando dos outros o que acho que é correto, recorro a minha lista de pecados de estimação. Isso mesmo! Tenho uma lista deles! Nomeio pecado, as minhas falhas e fraquezas, que me impedem de descobrir quem eu sou e me lançam num falso “palco”, onde só quem me assiste é o espelho que tenho ao lado da minha cama.

Pensar que todo dia que acordo preciso encarar o “bendito” espelho da verdade, passo a entender que preciso do outro pra me fazer entender quem eu sou realmente. O importante é não aceitar que os nossos pecados de estimação nos cativem e nos façam prisioneiros deles por muitos tempo. Somente vivendo e convivendo com muitas culturas diferentes estou sendo capaz de enfrentar tudo isso aqui dentro. Descobri que o equilíbrio que eu procuro está em algo muito maior que eu. Mas afirmo que deus tem um modo especial de tratar cada um de nós e essa é a maneira que ele escolheu para cuidar de mim.

O convite que tenho recebido cada dia é “Abra a porta e deixe entrar, corra o risco de ser feliz de vez!” Nunca havia pensado nisso! Parece insensatez, mas não! É certeza! Não aceito terminar esse ano sem saber o que me fará feliz de vez! Não aceito entrar na presença e Deus e não sair transformado! Não podemos aceitar uma alma tíbia, inerte ao amor de Deus. Cada dia descubro que estou mais apaixonado por um Deus que é compaixão e misericórdia! Decidi que eu quero um amor pra sempre! Minha dor aumenta quando me vejo distante disso!

Mas estou aqui, firme! Desfazendo os poucos os nós que ainda me embolam. Afirmo que forte não sou mais encontrei algo maior! Espero ainda um pouco mais de tudo isso! Mas por enquanto me deixo me levar! Livre sou!

Nunca pensei que esse amor fosse tão forte assim e pudesse mexer com tudo que há dentro de mim. Me seduziu e me fez refém! Refém desse amor! Um refém que se entrega cada dia um pouco na esperança de um dia se entregar completamente!


Levante-se, Igreja na África, quem chama é o Pai”

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[10/10/09 16:04:37] Anderson Gomes: do adenilson o final é 23

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“Coragem, levante-se”. Com este convite, Bento XVI ressaltou a convocação divina para a população aficana. “Levante-se, Igreja na África, família de Deus, porque quem chama é o Pai celeste que os seus antepassados evocaram como Criador, antes de conhecer a sua proximidade misericordiosa, revelada no seu Filho unigênito, Jesus Cristo”, completou em sua homilia, na manhã deste domingo, 25, na Santa Missa de encerramento da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, na Basílica de São Pedro. 

Na celebração, o Papa destacou como o Sínodo trouxe um forte apelo para renovar o modelo de desenvolvimento global para que seja capaz de incluir todos os povos e não somente aqueles “adequadamente habilitados”. 

A partir destas refexões, o Santo Padre chamou a atenção para suas declarações na recente encíclica Caritas in veritate: “O que a doutrina social da Igreja sempre afirmou a partir da sua visão do homem e da sociedade, hoje é requerido também pela globalização. Ela – é preciso recordar – não deve ser entendida de maneira fatalista como se as suas dinâmicas fossem produzidas por anônimas forças impessoais e independentes da vontade humana. A globalização é uma realidade humana e como tal é modificável segundo um ou outro delineamento cultural. A Igreja trabalha com a sua concepção personalista e comunitária, para orientar o processo em termos de relacionamento, fraternidade e partilha”.

E atendendo ao chamado divino, o Santo Padre enfatiza a importância da evangelização e da instauração de relações de justica e paz: “A urgente ação evangelizadora, da qual muito se falou nestes dias, inclui também um apelo premente à reconciliação, condição indispensável para instaurar na África relações de justiça entre os homens e para construir uma paz equilibrada e duradoura no respeito de cada indivíduo e cada povo. Uma paz que tem necessidade e se abre à contribuição de todas as pessoas de boa vontade além das respectivas pertenças religiosas, étnicas, linguísticas, culturais e sociais”.

O Papa afirmou que nesta comprometida missão, a Igreja peregrina na África do terceiro milênio não está sozinha, mas toda a Igreja Católica está próxima com a sua oração e solidariedade e “do céu acompanham os santos e santas africanos que, com a vida, muitas vezes até ao martírio, testemunharam a plena fidelidade a Cristo”.

Ao falar sobre a promoção humana, Bento XVI destacou o trabalho dos cristãos do continente: “Enquanto oferece o pão da Palavra e da Eucaristia, a Igreja se empenha também a trabalhar, com todos os meios disponíveis, a fim de que a nenhum africano falte o pão cotidiano. Por isso, junto com obra de primeira urgência da evangelização, os cristãos são ativos nas intervenções de promoção humana”. 

O Papa concluiu as suas palavras pedindo aos padres sinodais que sejam portadores do apelo à reconciliação, justiça e paz, que ressoou com frequência neste Sínodo e com uma mensagem a todo povo africano: “Coragem! Levante-se, continente africano, terra que acolheu o Salvador do mundo quando era menino e teve que se refugiar com José e Maria no Egito para fugir da perseguição de Herodes. Receba com entusiasmo renovado o anúncio do Evangelho para que a face de Cristo possa iluminar com o seu esplendor a multiplicidade das culturas e das linguagens das suas populações”.


Quem me tocou?

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Um certo dia um amigo me contou uma historia que muito me chamou atenção. Me chamou num canto e me disse assim: “Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto.  Dizia ela consigo: Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada. Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: Quem tocou minhas vestes? Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou?  E ele olhava em derredor para ver quem o fizera. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade.  Mas ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal.” (Mc 5, 25-31)

Ouvindo tudo isso comecei a refletir sobre mim mesmo e tudo que já vivi até hoje. Aquela mulher estava doente ha anos e apenas “ouviu dizer” que existia um tal Jesus que curava e fazia milagres. Ela não O conhecia. Ela não sabia quem Ele era ou do que Ele era capaz. Mas aquela mulher tinha dentro do coração um enorme desejo por cura, por mudança por libertação. Libertação de um mal que perturbava sua vida, que a isolava e a excluía de toda uma sociedade.

Naquela época, toda mulher menstruada ou que sofresse de qualquer corrimento de sangue, era considerada impura (Lv 15, 19-28) e todos que se relacionarem, tocarem, ou ao menos encostarem onde ela encostou era considerado impuro. Ela sabia disso! Ela era impura e não tinha o direito de ao menos chegar perto de Jesus. Mas aquela mulher não pensou nisso. Ela estava decidida a se arriscar. Ela trazia na alma um intenso desejo que o seu racional não foi capaz de medir o risco que ela estava colocando a si mesma. O único pensamento que ela tinha era “Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.” A fé que ela colocou nesse pensamento tomou uma certa forma que transformou completamente a vida da tal mulher. Ela tocou e a hemorragia parou imediatamente.

Não sei se é possível para nós entender a dimensão desta parte da história. Consegue perceber a força desse momento? Ela tocou apenas o manto. Agora eu me pergunto se ela tocou apenas o manto foi curada. Porque eu que tenho a oportunidade de tocar o corpo e o sangue de cristo todos os dias não tenho minha vida transformada? Porque as minhas feridas continuam abertas. Porque minhas hemorragias interiores persistem?

Bom nesse caso estamos falando de um encontro com Cristo que é uma experiência pessoal, única, irrepetível que cada um de nós pode fazer. Um encontro que talvez ocorra na nossa vida cotidiana, em um lugar, um momento, um dia, uma certa hora. Pessoas que O encontraram e foram transformada por Jesus.

A hemorroisa era uma mulher que reconhecia o poder de Jesus. Ela nunca tinha visto Jesus, mas ouviu dizer e acreditou no seu poder. No meio dos empurrões e em meio a confusão ela tinha uma só meta: Tocar o senhor! Ela sabia que O tocando seria curada.

Eis ai a chave dos nossos calabouços interiores. É ai que eu quero chegar. Nós também deveríamos tocar a Deus cada vez que entramos na presença de Jesus através das nossas orações. É nesse momento de intimidade com Ele que a alma se encontra com seu Criador, com seu Senhor. A palavra nos conta: “Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto.” Se formos capazes de aumentar nossa fé nesse momento de intimidade com Deus, atravessar nossas multidões interiores, passar por tudo isso que nos impede de tocar a Deus e finalmente encontrá-lo, sairíamos mais fortalecidos e com desejo de continuar nos encontrando com Ele a cada momento. A alma nunca pode ficar indiferente ao tocar a Deus.

Uma vida tocada por Cristo significa uma profunda mudança na própria história. Quando Cristo atravessa a vida de alguém, provoca inquietude na consciência; é semelhante a uma regeneração: dá origem a uma nova criatura. Como condição, Jesus exige a fé, com a qual alguém se abandona plenamente em Deus, que atua nele. De fato, a mulher que padecia de fluxo de sangue teve como resposta: “Tua fé te salvou”.

A fé não é um mero sentimento da presença de Deus ou da vontade de Deus na vida. Crer é dar-se, oferecer-se a Deus, entregar-se a Ele sem condições nem atenuantes. Cristo continua caminhando junto conosco, está presente através da sua Palavra, e além disso na Eucaristia, fonte de amor e de salvação. A minha oração é um encontro pessoal com Cristo ou se reduz a uma simples reflexão piedosa? Percebo com tudo isso que pará nós é tempo de dar uma mudança radical e atravessar as multidoes que nos afastam de tocar o manto, a graça e o corpo de Jesus.