Maria é a primeira a receber os benefícios da encarnação. Maria é a primeira a receber as graças vindas do ressuscitado, pois ela é o berço onde tudo começa. Ela é o lugar onde a vida começa a ser modificada pela força da intervenção definitiva de Deus.
Durante três anos Jesus havia preparado os apóstolos e os discípulos para a grande missão de difundir o Evangelho pelo mundo. Imaginemos o maior e mais ilustre dos professores, o mais sábio e capaz dos mestres que a história tenha conhecido, mesmo este não se compararia a Jesus Cristo, pois Ele, além de ser o Mestre dos mestres, é acima de tudo Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus encarnado, o Homem-Deus. Ele é a própria Sabedoria Encarnada e assim sendo escolhe Maria, a serva humilde do Pai para ser, em Pentecostes, uma figura de singular consideração. “É importante para nós relembrar que a maternidade divina de Maria concede a ela uma relação especial com cada pessoa da santíssima trindade.” A fiel filha do Pai, que se tornou a mãe do filho do Deus encarnado é chamada então de Esposa do Espírito Santo.
Maria no cenáculo faz o papel de receptora direta dessa imensa graça: O Espírito Santo. Ela esta ali como um para-raio que atrai e recebe poderosamente esse fogo abrasador, que irá se espalhar pela vida e pelo coração do povo de Deus.
Jesus confiou seus discípulos a Maria antes da vinda do Espírito Santo, pois Maria é memória vivente de Cristo, de sua vida desde o princípio e de suas palavras. Sua presença materna fala dEle em tudo pois a Virgem Maria foi aquela que recebeu o Espírito Santo em plenitude.
No seio da Trindade, o Espírito Santo é a pessoa do amor, assim chamado, como nos ensina São Tomás que Aquino, pois tanto o Pai quanto o Filho nos ama através desse mesmo Espírito.
Quando o Espírito Santo desce sobre Maria e os apóstolos, nós descobrimos que esse derramamento do Espírito está ligado de uma maneira toda especial àqueles que estão configurados a Cristo pelo Batismo. Essa missão do Espírito Santo traz graça às nossas almas e as introduz dentro da vida e do seio da Trindade de Amor.
Todo ser humano é chamado a desfrutar uma relação pessoal com cada pessoa da Trindade. Deus deseja essa relação única conosco e, assim unidos, a Igreja nos chama a essa relação de amor entre a Trindade e os cristãos. Quando a Trindade encontra morada dentro da alma dos justos, ele expande o seu conhecimento e amor para abraçar o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Igreja de Cristo identifica essa morada como sendo o lugar onde aqueles que possuem a marca da Trindade encontram sustento e remédio através da escuta da palavra de Deus e da vida sacramental na igreja.
Foi a obra materna de Maria que ajudou os discípulos a perseverarem cada dia na esperança do acontecimento prometido da vinda do Espírito, a estarem de acordo e unidos e a abrirem seus corações na oração como uma atitude de invocação e de confiada espera. Maria molda maternalmente os apóstolos, faz deles irmãos e prepara a comunidade para acolher o Espírito Santo. A nova vinda do Espírito sobre Ela a une ainda mais à Igreja, sua comunhão e missão. Não é possível pensar na Igreja sem Maria e em Maria sem a Igreja.
A centralidade da Mãe de Jesus em meio aos discípulos, com a mesma chama do Espírito Santo, em uma atitude de acolhida do dom e de ação de graças, nos fala do perfil mariano da Igreja. Ela representa a própria essência da Igreja: pura acolhida e transmissão do dom de Deus.
A graça de Pentecostes acontecerá novamente quando aprendermos a permitir que Maria esteja presente em todas as situações de nossas vidas. Ela quer, pelo Espírito Santo, me conduzir e te conduzir até Jesus, o seu filho. Ela que desde o princípio não olhou para trás, não pensou duas vezes, e disse sim a Deus para que, através de sua maternal intercessão nos conduzisse cada dia ao colo do seu filho Jesus e, ali acolhidos e amados, pudéssemos também rejubilar com Ela: Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe.