

A lenda da vitória-régia é muito popular no Brasil, principalmente aqui na região Norte. É realmente muito curioso ver como o povo conta e re-conta aquilo que se ouve de lá pra cá e dali para acolá. Pelo caminho do rio amazonas encontrei Dona Jaciara que com muita certeza me falava sobre a Flor da Amazônia.
O lugar era calmo, a água estava acima do nível do rio. O Igarapé embelezava a simples casa. A cristalinidade da água fazia com que o cenário do céu se repetisse. O reflexo dos inúmeros pássaros que sobrevoavam o lugar tornava ainda mais bela a cena cotidiana da vida de D. Jaciara, mas enchia de surpresa o meu olhar. Me aproximei.
_ Boa Tarde, com licença! – Dizia eu desconcertado
_ É… A senhora mora aqui?
Ela olha como quem não se interessa no assunto.
_ Aquele que é maior que tudo é quem diz se essa é minha casa ou não! – Dizia a velha senhora com voz rouca e tremula.
Parecia cena de filme, pensei que a qualquer instante sairia alguém de dentre o bambuzal, um cara de chapéu australiano, dizendo CORTA! CORTA! Me apresentei e disse que estava passando por ali pois viajava no Barco que saiu de Manaus rumo a Belém e esse era o 3 dia da viagem rio abaixo!
_ Sente-se meu jovem, tudo aqui é nosso! Tem muita Amazônia pra mim e pra ti também!
_ Não precisa se preocupar dona…
_ Jaciara, pode me chamar assim.
_ Então Dona Jaciara é que o moço do barco disse que aqui, próximo a sua casa, tinha muita Vitória régia e eu queria só fazer umas fotos.
_ Vitória régia – Repete continuas vezes a meia voz e abaixando a cabeça como quem tenta recordar-se de algum assunto!
Segurando minha mão fortemente, caminha comigo por entre trilhas que segue o córrego e que daria direto a um igarapé lindo onde a água é pura e refrescante.
_ Duas das minhas filhas foram levadas. A beleza da linda flor da Amazônia é quem me consola. – Dizia ela com um certo pesar.
O que me vinha a cabeça era trafico internacional de mulheres, estupro, só coisas ruins!
_ Como assim Dona Jaciara, a senhora falou com algum policial?
_ Não meu filho, feliz é a mãe que tem seu filho levado por ele.
_ Mas ele quem? – Dizia eu inconformado com a situação.
Ela sorriu com seus dentes amarelados, cabelo liso e preto e com fitas de diversas cores e me fazendo sentar a beira do igarapé. Foi quando levantei o olhar e avistei A Grande Vitória Régia!
Me recordo que lá na Escolinha Mônica, onde estudei toda minha infância, existia livros e mais livros sobre o folclore do Brasil e a Grande Vitória era o meu favorito depois do Beija flor.
Pra mim Dona Jaciara era a própria lenda viva, ali na minha frente. E Diz a lenda que a Lua era um deus, belo e cheio de charme e encanto, sua beleza encantava os olhos de todos que o contemplasse, que namorava as mais lindas jovens índias e sempre que se escondia, escolhia e levava algumas moças consigo.
Em uma aldeia indígena, havia uma linda jovem, a guerreira Naiá, que sonhava com a Lua e mal podia esperar o dia em que o deus iria chamá-la. Os índios mais experientes alertavam Naiá dizendo que quando a Lua levava uma moça, essa jovem deixava a forma humana e virava uma estrela no céu. No entanto a jovem não se importava, já que era loucamente apaixonada pela Lua. Essa paixão virou obsessão em um momento onde Naiá não mais queria comer nem beber nada, só admirar a Lua. Numa noite em que o luar estava muito bonito, a moça chegou à beira de um lago, viu a lua refletida no meio das águas e acreditou que o deus havia descido do céu para se banhar ali. Assim, a moça se atirou no lago em direção à imagem da Lua, que de forma cristalina se refletia no lago. Quando percebeu que aquilo fora uma ilusão, tentou voltar, porém não conseguiu e morreu afogada. Comovido pela situação, o deus Lua resolveu transformar a jovem em uma estrela diferente de todas as outras que o mundo havia visto: uma estrela das águas – A Vitória-régia. Por esse motivo, as flores perfumadas e brancas dessa planta só abrem no período da noite emanando beleza e perfume.
18 julho, 2009 no 4:24 pm
Po muito maneira/linda a história, que aventura de indiana jones, huuauhauha. Amazonia é bela só pelas histórias, ao vivo então deve ser algo indistritivel, parabéns pelo belo momento.
21 julho, 2009 no 8:16 pm
Grande Rudney!
De primeira esta experiencia pelo Brasilzao hein meu caro… A Vitória Régia sempre foi um dos meus preferidos também, nos velhos (velhos mesmo) tempos de casinha branca… a escola infantil que eu frequentava… porém nunca mais li e não tenho esta memória toda… você me ajudou a lembrar.
Boa sorte com tudo nesta viagem por nosso pais… e toma conta dos japas por que voltar com estes inteiros sera mesmo uma missão!
Até mais
Thiago Caro
22 julho, 2009 no 9:17 pm
muito bom o comentário:Círio de Nazaré-A alma do povo paraense!
Unico senão é que ao acordar a mídia para o Círio, algo aconteceu e a FESTA DE NAZARÉ durante a qual o Círio é a grande causa, foi sendo chamada de Festa do Círio de Nazaré,o que não é a mesma coisa.
Mas, o comentário é um dos melhores que conheço.Na verdade o autor comungou da alma do povo.
Mízar Klautau Bonna
28 julho, 2009 no 2:33 am
adoro nossas lendas! fico feliz de vê-las aqui, sei que isso possibilita a mais pessoas de partes diferentes do mundo terem acesso.
bjinhuz
3 agosto, 2009 no 4:50 pm
Adorei o post! Seu blog ta ótimo…
vi teu orkut por conta da maquina Nikon D40… vim conferir o blog, belissimo por sinal! Ótimo trabalho!
:**
19 setembro, 2009 no 10:20 pm
EU QUERO SABER SO DA FLOR SO DA FLOR
19 abril, 2010 no 1:59 am
Amei tudo o q escreveu, meu nome foi tirado desta lenda, por tanto ela é muito importante para mim, mas para ser sincera, não gostei do final onde vc diz q ela percebeu q era tudo ilusão, era mais, muito mais q isso, era amor, era paixão, se não fosse assim o Deus Tupã não teria admirado o ato tão lindo da jovem de sacrificar-se, desculpe, mas desde muito pqna aprendi dessa forma e não ia conseguir imaginar de outra, bjão …