A vida simplesmente


Há um certo tempo tenho lutado junto com as minhas impotências e fragilidades e até confesso que, muitas vezes, isso é bem dolorido aqui dentro. Ter o desejo de ser melhor e não conseguir, às vezes, me machuca muito.

Pessoas exigentes se cobram muito e por isso sofrem muito, pois transferem algo que seria simples para um lugar de cobrança desnecessária. Mas confesso também que tenho aprendido a lidar de forma mais madura com tudo isso. Tenho aprendido a ser quem eu realmente preciso ser e não aquilo que, muitas vezes, eu quero ser. Nem tudo aquilo que queremos é o que será melhor pra nós: um menino quer muito comer um delicioso bolo de chocolate, mas o seu pai sabe que não é esse apetitoso bolo que o deixará mais forte e saudável, mas, sim, um prato de arroz com feijão e uma salada deliciosa acompanhada de uma carne macia bem grelhada. Assim faz Deus conosco.

Tenho entendido isso a cada perda, a cada renúncia, a cada passo desta longa caminhada em que tenho pedido para Deus: “Senhor, permita-me andar sobre os Teus passos e descansar os meus pés. Quero que os Teus braços seja lugar de força e descanso para os meus desânimos e franquezas”.

Quando entendemos o que realmente Deus quer de nós tudo passa a ficar mais fácil, mais simples. Como a tarde que cai sem pedir… o vento que sopra sem ter direção.

Penso que sou um homem em construção, na verdade estou em reformas. Deus bem sabe. Ele retirou a primeira pedra, mas não atirou. Ele não atira. Quero ser sempre Dele. Tenho medo de me perder no meio do entulho. Quero ser Dele parte a parte, para ser todo um dia.

Vez ou outra o amor de Deus me constrange. Ele me olha nos olhos e diz que me ama ou pede para alguém me dizer. Ontem mesmo Ele fez isso comigo. Desconcertou-me quando de forma inesperada alguém me disse assim: “O seu olhar me faz voltar a Deus”. No mesmo instante meus olhos encheram-se de lágrimas, que caíram descontroladamente. E, neste ímpeto, com a respiração entrecortada e mais ou menos demorada fiquei a pensar naquilo que falei no inicio. O veemente desejo de ser melhor.

Deslizando os dedos no meu rosto, secando minhas lágrimas Me perguntava: “Filho, o que você tem feito da sua vida?” Segurando forte Ele me manda prestar atenção. Digo que não sei. Ele ri de mim. “Meus eleitos são todos iguais” – conclui me beijando o rosto.

Como é bom ver Deus bem de perto. Como é bom voltar ao seu colo e mais uma vez me sentir amado como um filho. Quando o tenho bem perto surge em mim o forte desejo de pedir-lhe o impossível, mas me falta coragem. Aí peço apenas o que é essencial. Dá-me aquilo que preciso. Ele sempre me surpreende com medidas que não mereço. E pensando assim sempre me pego no meio de medos. Medo de não ser feliz, de não acertar, de não tomar a certa decisão. Medo é o avesso de coragem. O homem que não tem medo corre o risco de se sentir um herói sempre pronto e sem graça. O medo sempre me coloca no meu lugar e me prepara para um novo que surge. Entre esses conflitos solucionados pelo amor simples de Deus vejo a vida simplesmente como um menino. Ainda que me digam que sou tolo quero continuar assim, no inverso deste mundo que só pensa em receber. Eu quero dar o amor.

Sobre Rudney Novaes

Graduado em Comunicação Social, habilitação Publicidade e Propaganda, atuo profissionalmente há quatro anos como designer gráfico e há dois com fotografia. Reúno atividades relacionadas ao cenário fotográfico da moda, de produtos, retratos, paisagem e natureza. Também tenho participação na Mostra de Vídeo da Faculdade Novo Milênio com o curta-metragem Máscaras (2002), Festival de Vídeo de Salvador/ BA com o curta-metragem Cotidiano (2003) e Memória Fragmentada (2004). Caracterizo-me, principalmente, por um olhar inclinado à percepção do belo, numa representatividade delineada do real. Assim, procuro encontrar no cotidiano a subjetividade de uma expressão ainda oculta pela rítmica do ser humano, identificando o princípio invisível como essência para os reflexos, que esporadicamente entrevêem os homens. A amplitude da beleza torna-se então, algo aplicável a tudo aquilo que é trivial. Ver todos os posts de Rudney Novaes

Uma resposta to “A vida simplesmente”

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