Quem é esse homem que diz ter algo melhor para oferecer?
A região se chamava Samaria e o vilarejo é conhecido como Sicar.
O céu amanhecera sem nuvens, um dia lindo e com muita luz, mas o coração daquela mulher era o mesmo da noite anterior, a mesma busca de ontem e anteontem, mais um dia procurando significado para a vida. Mais um dia tentando entender o sentido de sua vida.
Envolveu-se com os afazeres de casa até que chegasse a hora de ir ao poço próximo da sua cidade e buscar água sem o desconforto de encontrar com outras pessoas e mais uma vez sentir-se desprezada pelos olhares e comentários sussurrados. Tinha dentro do seu coração o mesmo medo de sempre. O dedo de ser julgada, humilhada e menosprezada.
Próximo dali, na Judéia, Ele decidiu virar as costas para a fama, literalmente fugir dela. Os comentários eram de que Ele batizava mais discípulos que o seu primo João, reconhecido por todos como um grande profeta. Fugiu da fama com um grupo de amigos e foi em direção à Galiléia.
Sol a pino, cansado da viagem, parou em um poço próximo a Sicar. Foi quando ela chegou para pegar água. É sempre assim: o calor do meio dia afugenta a todos e assim ela pode pegar água sem ser incomodada; por isso ficou surpresa quando de longe viu que havia outra pessoa próxima ao poço. Quando chegou, surpresa maior: um judeu.
Ele pediu água. Ela ficou quase indignada e lembrou que ele era judeu e ela samaritana; que ele era homem e ela era mulher. Enfim, aquela conversa não deveria estar acontecendo!
Ele insistiu! Falou que tinha um tipo de água que mata a sede para sempre. Ela ficou confusa. Que água era aquela que mataria a sede para sempre? Como ele poderia tirar água do poço se não tinha nada nas mãos para isso?! Quem era esse homem que dizia ter algo melhor para oferecer? Quem era aquele homem que a olhava sem querer nada em troca?
Ele insistiu novamente! Falou que a água do poço mata a sede mas só por um momento; a água viva, que ele tem pra dar, mata a sede para sempre. Ela não teve dúvidas! Imagine não ter que ir todos os dias, sol a pino, buscar água pra matar a sede! Imagine não correr o risco de ser desprezada com os olhares e humilhada com as palavras pelo caminho! Oh, Senhor dá-me dessa água! Ele começou a se aproximar. Ele sugeriu que ela fosse chamar seu marido para os dois receberem dessa água. Ela se entristeceu. Pois, não tinha marido. Sua vida amorosa e familiar tinha sido um desastre. Trocara tantas vezes de companheiro e por motivos tão fúteis que não sabia mais o que era ser amada.
Ele chegou mais perto: Já tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Ela ficou impressionada, mas sentiu-se ameaçada. Como aquele estranho sabia sobre a sua vida? Sua história havia ultrapassado as fronteiras ou aquele homem era um tipo de profeta? Quem sabe o messias prometido? Ninguém jamais havia falado de forma tão direta sobre o estado da sua vida, mas como permitir que aquele homem se aproximasse de seus sentimentos mais profundos da sua alma?
Ela lembrou que ele era judeu. Lembrou que havia uma linha divisória entre eles. Era assim que ela o afastaria! Nós adoramos aqui no monte, vocês adoram em Jerusalém. Vocês são judeus, nós samaritanos. Escondido no argumento, um pedido: por favor, não chegue mais perto do meu coração!
Ele contornou o obstáculo. O lugar não era importante. Vai chegar um tempo em que a adoração a Deus acontecerá fora de Jerusalém e longe desse monte. Aí não vai fazer diferença quem é judeu ou samaritano. Ela ouvia curiosa.
Ele explicou melhor. Deus procura verdadeiros adoradores. Não é o lugar de adoração que torna um adorador verdadeiro, não é assim que Deus avalia. O que faz verdadeiro o adorador é qualidade da adoração. Ela ouvia atenta.
Ela foi tocada pelas palavras daquele homem. Adorar a Deus de espírito livre e sem esconder quem era! Essa era a sua esperança com a vinda do messias.
Poder abrir o coração diante de alguém que conheça os detalhes da sua vida e ainda assim lhe receba; chorar suas dores e angústias para alguém que saiba o que elas significam; lamentar por seus erros e clamar por consolo! Ela não tinha dúvidas: isso sim, poderia saciar a sede da sua alma!
Mas apenas o Cristo de Deus, o messias prometido, o salvador esperado poderia ser a água para matar essa sede. Ela baixo a cabeça.
Ele olhou para ela e disse: Eu o sou, eu que falo contigo. Ela o ouviu dizer que era o messias. O seu coração palpitou forte. Ela jamais se acharia digna de vê-lo face a face, mas era verdade. Ele estava ali. Ela largou o cântaro e correu para a cidade. Ele viu a alegria em sua face e também se alegrou. Ela não podia guardar a notícia, contou para outras pessoas. Ela não podia adorá-lo sozinha, chamou outros para confirmarem com ela: ali estava o messias. A água viva que mata a sede.
Jesus não hesitou em quebrar as leis e as tradições religiosas para estender as mãos e dar o Amor de Deus! Ele não só ignorou as diferenças culturais, raciais e religiosas dos samaritanos, mas também olhou além do coração pecador da mulher no poço e viu uma alma que ansiava pelo Amor e pela Salvação que Deus oferece! Jesus disse à mulher que se ela conhecesse a dádiva de Deus, ela teria pedido e Ele lhe teria dado uma fonte de água que jorra para a vida eterna!
Que você também receba o presente maravilhoso de Deus, a vida eterna, e que o Seu lindo Espírito de amor também brote no seu coração!
Obrigado Jesus pelo Seu amor maravilhoso — amor suficiente para perdoar todos os meus pecados. Ajude-me a amar e a ser misericordioso para com os outros da mesma maneira que Você me amou e foi misericordioso para comigo. Amém.
Add comment Dezembro 9, 2009
Bendito o silêncio que me forma!

“Escutavam-me, esperavam, recolhiam em silêncio meu conselho.” (Jó 29, 21)
Bendito seja o silencio que me aproxima de quem eu sou. Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da tua alma. A ver-se mais de perto. Aprende com o silêncio a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora, sem as reclamações vazias e sem sentido. Aprende com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido. O mundo já tem muito barulho, viva o seu próprio som. Aprende com o silêncio que a solidão não é castigo, mas a chave que abre a porta de acesso ao sagrado.
Aprende com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo. Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar. Aprende com o silêncio a respeitar a vida, valorizar o dia, descobrir as qualidades que possuis, equilibrar os defeitos que tens e sabes que precisas corrigir e ver aqueles que ainda não consegues ver. Aprende com o silêncio a respeitar o teu “eu”, a valorizar o ser humano que és, a respeitar o templo que é o teu corpo, e o Santuário que é a tua vida. Aprende hoje com o silêncio, que ouvir é muito melhor que falar. Aprende então, a ouvir a sua própria voz. Conhecer o ritmo do seu pulso, do seu coração. Aprende com ele a ouvir o fino som das formigas que caminham velozes sobre a mesa, do garfo que toca o prato, dos dentes dilacerando os pedaços da fruta que tens na boca, cortada pelo afiado corte da faca que possui em seu verso letras quase ilegível que diz “Made in Bangladesh”. Aprende com o silêncio a vez o que sempre esteve ali e você nunca tinha visto antes. O silencio nos abre os olhos.
Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso; muitas vezes, o silêncio é confundido com fraqueza, apatia ou indiferença. Pensamos que uma pessoa portadora dessa virtude está impedida de reclamar os seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos. Mas digo que descobri o contrario. Descobri que é no silêncio que encontramos força. É no silencio e na quietude que encontramos equilíbrio e têmpera. Mas não caia no engano de achar que os silenciosos são grandes sábios e fortes.
Não afirmo que aqueles que são dotados dessa acessível virtude estão mais próximos daquilo que almejam, pois as vezes calam o exterior mais seu interior grita de forma descontrolada por socorro!
Quero aprender o equilíbrio. Encontrar o meu ponto de equilíbrio, para assim, ser capaz de moderar os meus monstros interiores, aqueles que gritam dentro de mim e não me permitem ouvir a voz que me fala ao coração.
Hoje descobri no silêncio uma força incrível. Fiquei me questionando como pode algo tão simples como o “desconhecido” silencio ser capaz de mudar tanta coisa dentro de alguém. Ele funciona como o ar, o oxigênio, penetra nos nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença ou poderia compará-lo com a luz, a vida e o espírito, que atuam com a suavidade de uma aparente ausência.
Os fracos não são capazes de calar, pois tem medo de ouvir o que o coração está a dizer. Eles tem medo de que o silêncio lhes revelem quem realmente são. Mas os que buscam a força arriscam-se no tudo, nas profundezas do silêncio para que assim se conheçam e amem cada dia mais.
Assim é Deus! Ele age com tamanha quietude que a maioria de nós nem percebem a sua ação. Ele fala, age, ama, muda e cura na mais perfeita leveza.
O amor é assim sem ruído, sem alarde e sem violência. Ele bate a porta. É um cavalheiro! Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra.
“No silencio eu te encontro
Quando todos se vão
Contigo eu fico, senhor!
Não há nada que eu queira fazer
Do que Te buscar e Te encontrar
Não há nada que eu queira fazer
Do que me prostrar e Te adorar
Meu coração clama por Ti
Meu coração sedento está por Ti”
Add comment Novembro 4, 2009
Juntos e misturados. Nunca embolados!

Branco no preto. Azul com amarelo. Pedra e pau. Norte e sul. Sempre assim num mesmo ritmo. Moçambique e África do Sul. Amo a multiculturalidade que tem feito parte de mim. Talvez os inteligentes e pensadores tenham uma definição especifica a respeito do conceito multiculturalidade. Um dia ouvi dizer que o multiculturalismo é o reconhecimento das diferenças, da individualidade de cada um. Daí então surge a confusão: se o discurso é pela igualdade de direitos, falar em diferenças parece uma contradição. Mas não é bem assim. A igualdade de que se fala é igualdade perante a lei, é igualdade relativa aos direitos e deveres. As diferenças às quais o multiculturalismo se refere são diferenças de valores, de costumes etc, posto que se trata de indivíduos de raças diferentes entre si.
Sejam quais forem as exigências do mundo globalizado, atualmente se afirma a certeza do necessário convívio em uma sociedade cuja realidade é multicultural. Para tanto, é preciso que se reconheça e se respeite as diferenças próprias de cada indivíduo. O reconhecimento da diferença é ponto de partida para que se possa conviver em harmonia, não com os iguais, já que igualdade só deve existir do ponto de vista legal, mas do ponto de vista humano, social, o que nos interessa é realmente ser diferentes. Eu gosto de pensar por vários pontos de vista. Gosto de ser intimo e pessoal com relação aos temas pelo qual sou interessado.
Depois de ter passado por diferentes países, conhecido diferentes pessoas estou conhecendo meu coração um pouco mais. Acho que esse é e sempre será o meu grande desafio. Saber quem eu sou e o que Deus quer de mim. Tirei esse ano para pensar! 2009/2010 é o ano da graça pra mim. O ano em que dei a mim mesmo a oportunidade de ser feliz de verdade. Caminhamos lá e cá mas muitas vezes não sabemos se estamos dando o passo acertado.
Essa semana falava com um amigo e senti que ele estava perdido. Estava perdido nele mesmo, perdido no que fazer do futuro. É difícil pensar no próprio futuro! O mais injusto é que vivemos num mundo onde a urgência de decisões nos força a tomar certas atitudes que muitas vezes não estão amadurecidas ainda.
Quando somos crianças nossos professores, pais e amigos sempre perguntam: “Pedrinho! O que você quer ser quando crescer?” As respostas são sempre as mesmas. Medico, Professor, Advogado, engenheiro! Nada muito acertado! Nada concreto pois a esta altura da vida, Pedrinho ainda não sabe quem ele é! Não sabe o que o tornará feliz! Uma pergunta, um tanto, injusta com o menino, não acham?
Depois de viver na pele de Pedrinhos ou Mariazinhas pelo mundo definitivamente é tempo de pensar acertado! Chega de viver o sonho dos outros! É tempo de viver o sonho que há em nosso próprio coração. Uma grande amiga me diz sempre que Deus sonha com nossos sonhos. Isso é fato. Nesse tempo de novidade pro meu coração tenho aprendido que o respeito é algo que precisa ser cultivado de forma fecunda. Entender o outro. Olhar por um outro ponto de vista é algo que precisa fazer parte da minha forma natural de pensar. Não pode ser algo racional. Tem que vir de dentro! Não é lei é amor é vida.
Quando falo isso me refiro ao exercício da paciência! Esse é um dos meus espinhos. Como diz São Paulo em uma de suas cartas aos Coríntios diz: “Para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade.” II Cor 12, 7. Ser paciente! Principalmente comigo mesmo! Me dar o direito de errar, de ser fraco, de ser frágil! Mas nunca aceitar ficar no mesmo lugar. Entretanto, entendendo, amando e sendo caridoso com aquele que está próximo de mim. Nem todos somos iguais! Cada um tem sua velocidade! Cada um tem sua forma de agir e pensar, por isso exercer a paciência junto com a caridade é a minha grande luta cotidiana! Conto aqui um segredo: Toda vez que me pego fora de mim, cobrando dos outros o que acho que é correto, recorro a minha lista de pecados de estimação. Isso mesmo! Tenho uma lista deles! Nomeio pecado, as minhas falhas e fraquezas, que me impedem de descobrir quem eu sou e me lançam num falso “palco”, onde só quem me assiste é o espelho que tenho ao lado da minha cama.
Pensar que todo dia que acordo preciso encarar o “bendito” espelho da verdade, passo a entender que preciso do outro pra me fazer entender quem eu sou realmente. O importante é não aceitar que os nossos pecados de estimação nos cativem e nos façam prisioneiros deles por muitos tempo. Somente vivendo e convivendo com muitas culturas diferentes estou sendo capaz de enfrentar tudo isso aqui dentro. Descobri que o equilíbrio que eu procuro está em algo muito maior que eu. Mas afirmo que deus tem um modo especial de tratar cada um de nós e essa é a maneira que ele escolheu para cuidar de mim.
O convite que tenho recebido cada dia é “Abra a porta e deixe entrar, corra o risco de ser feliz de vez!” Nunca havia pensado nisso! Parece insensatez, mas não! É certeza! Não aceito terminar esse ano sem saber o que me fará feliz de vez! Não aceito entrar na presença e Deus e não sair transformado! Não podemos aceitar uma alma tíbia, inerte ao amor de Deus. Cada dia descubro que estou mais apaixonado por um Deus que é compaixão e misericórdia! Decidi que eu quero um amor pra sempre! Minha dor aumenta quando me vejo distante disso!
Mas estou aqui, firme! Desfazendo os poucos os nós que ainda me embolam. Afirmo que forte não sou mais encontrei algo maior! Espero ainda um pouco mais de tudo isso! Mas por enquanto me deixo me levar! Livre sou!
Nunca pensei que esse amor fosse tão forte assim e pudesse mexer com tudo que há dentro de mim. Me seduziu e me fez refém! Refém desse amor! Um refém que se entrega cada dia um pouco na esperança de um dia se entregar completamente!
1 comment Outubro 26, 2009
Levante-se, Igreja na África, quem chama é o Pai”

“Coragem, levante-se”. Com este convite, Bento XVI ressaltou a convocação divina para a população aficana. “Levante-se, Igreja na África, família de Deus, porque quem chama é o Pai celeste que os seus antepassados evocaram como Criador, antes de conhecer a sua proximidade misericordiosa, revelada no seu Filho unigênito, Jesus Cristo”, completou em sua homilia, na manhã deste domingo, 25, na Santa Missa de encerramento da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, na Basílica de São Pedro. Na celebração, o Papa destacou como o Sínodo trouxe um forte apelo para renovar o modelo de desenvolvimento global para que seja capaz de incluir todos os povos e não somente aqueles “adequadamente habilitados”. A partir destas refexões, o Santo Padre chamou a atenção para suas declarações na recente encíclica Caritas in veritate: “O que a doutrina social da Igreja sempre afirmou a partir da sua visão do homem e da sociedade, hoje é requerido também pela globalização. Ela – é preciso recordar – não deve ser entendida de maneira fatalista como se as suas dinâmicas fossem produzidas por anônimas forças impessoais e independentes da vontade humana. A globalização é uma realidade humana e como tal é modificável segundo um ou outro delineamento cultural. A Igreja trabalha com a sua concepção personalista e comunitária, para orientar o processo em termos de relacionamento, fraternidade e partilha”.
E atendendo ao chamado divino, o Santo Padre enfatiza a importância da evangelização e da instauração de relações de justica e paz: “A urgente ação evangelizadora, da qual muito se falou nestes dias, inclui também um apelo premente à reconciliação, condição indispensável para instaurar na África relações de justiça entre os homens e para construir uma paz equilibrada e duradoura no respeito de cada indivíduo e cada povo. Uma paz que tem necessidade e se abre à contribuição de todas as pessoas de boa vontade além das respectivas pertenças religiosas, étnicas, linguísticas, culturais e sociais”.
O Papa afirmou que nesta comprometida missão, a Igreja peregrina na África do terceiro milênio não está sozinha, mas toda a Igreja Católica está próxima com a sua oração e solidariedade e “do céu acompanham os santos e santas africanos que, com a vida, muitas vezes até ao martírio, testemunharam a plena fidelidade a Cristo”. Ao falar sobre a promoção humana, Bento XVI destacou o trabalho dos cristãos do continente: “Enquanto oferece o pão da Palavra e da Eucaristia, a Igreja se empenha também a trabalhar, com todos os meios disponíveis, a fim de que a nenhum africano falte o pão cotidiano. Por isso, junto com obra de primeira urgência da evangelização, os cristãos são ativos nas intervenções de promoção humana”. O Papa concluiu as suas palavras pedindo aos padres sinodais que sejam portadores do apelo à reconciliação, justiça e paz, que ressoou com frequência neste Sínodo e com uma mensagem a todo povo africano: “Coragem! Levante-se, continente africano, terra que acolheu o Salvador do mundo quando era menino e teve que se refugiar com José e Maria no Egito para fugir da perseguição de Herodes. Receba com entusiasmo renovado o anúncio do Evangelho para que a face de Cristo possa iluminar com o seu esplendor a multiplicidade das culturas e das linguagens das suas populações”.
Add comment Outubro 25, 2009
Quem me tocou?

Um certo dia um amigo me contou uma historia que muito me chamou atenção. Me chamou num canto e me disse assim: “Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. Dizia ela consigo: Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada. Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: Quem tocou minhas vestes? Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou? E ele olhava em derredor para ver quem o fizera. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade. Mas ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal.” (Mc 5, 25-31)
Ouvindo tudo isso comecei a refletir sobre mim mesmo e tudo que já vivi até hoje. Aquela mulher estava doente ha anos e apenas “ouviu dizer” que existia um tal Jesus que curava e fazia milagres. Ela não O conhecia. Ela não sabia quem Ele era ou do que Ele era capaz. Mas aquela mulher tinha dentro do coração um enorme desejo por cura, por mudança por libertação. Libertação de um mal que perturbava sua vida, que a isolava e a excluía de toda uma sociedade.
Naquela época, toda mulher menstruada ou que sofresse de qualquer corrimento de sangue, era considerada impura (Lv 15, 19-28) e todos que se relacionarem, tocarem, ou ao menos encostarem onde ela encostou era considerado impuro. Ela sabia disso! Ela era impura e não tinha o direito de ao menos chegar perto de Jesus. Mas aquela mulher não pensou nisso. Ela estava decidida a se arriscar. Ela trazia na alma um intenso desejo que o seu racional não foi capaz de medir o risco que ela estava colocando a si mesma. O único pensamento que ela tinha era “Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.” A fé que ela colocou nesse pensamento tomou uma certa forma que transformou completamente a vida da tal mulher. Ela tocou e a hemorragia parou imediatamente.
Não sei se é possível para nós entender a dimensão desta parte da história. Consegue perceber a força desse momento? Ela tocou apenas o manto. Agora eu me pergunto se ela tocou apenas o manto foi curada. Porque eu que tenho a oportunidade de tocar o corpo e o sangue de cristo todos os dias não tenho minha vida transformada? Porque as minhas feridas continuam abertas. Porque minhas hemorragias interiores persistem?
Bom nesse caso estamos falando de um encontro com Cristo que é uma experiência pessoal, única, irrepetível que cada um de nós pode fazer. Um encontro que talvez ocorra na nossa vida cotidiana, em um lugar, um momento, um dia, uma certa hora. Pessoas que O encontraram e foram transformada por Jesus.
A hemorroisa era uma mulher que reconhecia o poder de Jesus. Ela nunca tinha visto Jesus, mas ouviu dizer e acreditou no seu poder. No meio dos empurrões e em meio a confusão ela tinha uma só meta: Tocar o senhor! Ela sabia que O tocando seria curada.
Eis ai a chave dos nossos calabouços interiores. É ai que eu quero chegar. Nós também deveríamos tocar a Deus cada vez que entramos na presença de Jesus através das nossas orações. É nesse momento de intimidade com Ele que a alma se encontra com seu Criador, com seu Senhor. A palavra nos conta: “Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto.” Se formos capazes de aumentar nossa fé nesse momento de intimidade com Deus, atravessar nossas multidões interiores, passar por tudo isso que nos impede de tocar a Deus e finalmente encontrá-lo, sairíamos mais fortalecidos e com desejo de continuar nos encontrando com Ele a cada momento. A alma nunca pode ficar indiferente ao tocar a Deus.
Uma vida tocada por Cristo significa uma profunda mudança na própria história. Quando Cristo atravessa a vida de alguém, provoca inquietude na consciência; é semelhante a uma regeneração: dá origem a uma nova criatura. Como condição, Jesus exige a fé, com a qual alguém se abandona plenamente em Deus, que atua nele. De fato, a mulher que padecia de fluxo de sangue teve como resposta: “Tua fé te salvou”.
A fé não é um mero sentimento da presença de Deus ou da vontade de Deus na vida. Crer é dar-se, oferecer-se a Deus, entregar-se a Ele sem condições nem atenuantes. Cristo continua caminhando junto conosco, está presente através da sua Palavra, e além disso na Eucaristia, fonte de amor e de salvação. A minha oração é um encontro pessoal com Cristo ou se reduz a uma simples reflexão piedosa? Percebo com tudo isso que pará nós é tempo de dar uma mudança radical e atravessar as multidoes que nos afastam de tocar o manto, a graça e o corpo de Jesus.
Add comment Outubro 19, 2009
Maria e Santa Catarina de Sena

A serenidade mais uma vez me encontrou! Vejo a beleza no que estava escuro em mim! Não me sinto confortável mas a força que preciso chegará na hora certa. Tudo é graça! Um novo caminho! Estou andando a passos lentos. Mas quero chegar lá! Dizia o poeta que só aquele que provou um amargo sabor, sofreu e viveu o desespero da dor foi capaz de ver a vida com verdade. Eu tenho tentando ver o lado positivo de tudo apesar de me sentir um pouco pessimista as vezes. Quero que Deus me ensine a mudar isso aqui dentro. Não sou perfeito eu sei! Mas só quero ser um pouco melhor pra dar menos trabalho aqueles que vivem a minha volta!
Indo e vindo, vivendo conflitos e crescendo cada dia mais, sigo feliz pois a grandeza de Deus se mostra ainda mais forte aos meus olhos! Deus realmente me ama muito e percebo isso a cada dia! As vezes desconfio da confiança que tenho nele. Na providencia que nunca me falta! Semana passada conheci um varias pessoas especiais, entre elas estava Maria: uma mulher de força que luta com suas limitações. Limitações que à tornam forte o suficiente para ser quem ela verdadeiramente é. Deus nos dá o caminho que nos santifica. E santidade é algo que só teremos quando tivermos a capacidade de amar mais e mais! Quanto mais amarmos mais santos seremos! Vi em Maria a docilidade e a beleza de Deus. Maria tem 2 filhos, anjos cheios de pureza e uma beleza inacreditável. Suas almas tem cheiro de inocência e o sorriso me da vontade de ser simples novamente! Me senti no colo de Deus! Que força trás essa mulher dentro do coração! Quanta força! Que luta! A cada minuto pedia a Deus que me desse 10% da fortaleza que via dentro dela! Não sei se estou sendo capaz de descrever o que quero! A força que me refiro é uma vontade de viver e ser feliz tão grande, que as limitações humanas ultrapassam o natural e chegam ao sobrenatural de Deus. Ele tem assistido a tudo! Tem olhado lá de cima com seu amor de pai, que cuida, ama e dá sustento! O amor nunca desiste, tudo suporta, tudo espera para tudo vencer! Na dor o amor nunca se dobra, ele segue e nos faz vencer!
Hoje estou em Roma! A cidade tem o cheiro da Igreja! A arte a cultura, tudo me remete a santidade! Estar a 15 minutos do Vaticano me faz pensar quanta graça Deus tem depositado sobre mim! Fico me questionando onde ele quer chegar com tudo isso que me tem dado de presente! Caminhando encontrei um Igreja onde esta enterrado o corpo de Santa Catarina de Sena. A vida dessa santa é cercada de tanta docilidade, bondade e caridade, que nos impressiona. A sua doce e singular personalidade se misturava com a sua marca, que era de extrema feminilidade, a qual regia a seu cotidiano. Conta-se que em uma passagem de sua vida, para poder vencer a repugnância para com um leproso que exalava um cheiro horrível, inclinou-se em sua direção e beijou-lhe as chagas. Era de extrema bondade e caridade para com os pobres, e em público lia as suas cartas endereçadas a papas, reis e líderes. Esse papel social e político lhe renderam sérias complicações. Catarina teve que se explicar para os Dominicanos, insatisfeitos com sua atitude. Foi presa e em seu cárcere escreveu o “Diálogo sobre a Divina Providência. Sempre amei muito a vida e forma com que Santa Catarina falava com Deus e a sua Divina Providencia. Santa Catarina de Sena foi considerada Doutora da Igreja devido as idéias teológicas e místicas descritas em suas obras. Foi lá no tumulo de Santa Catarina que entreguei a vida de Maria para que pelo poder da graça de Deus ela tenha a força e o amor necessário para continuar firme a sua caminhada!
Inspirado pela profundidade de oração de Santa Catarina peço: Trindade eterna, vós sois um mar profundo, no qual, quanto mais procuro, mais encontro. E quanto mais encontro, mais procuro. Vós nos saciais de maneira completa, pois, no vosso abismo, saciais a alma de tal sorte que ela fica sempre com mais fome de vós. Que podereis dar-me mais de vós mesmo?
Sois o Fogo que queima sempre e nunca se consome. Sois o Fogo que consome no vosso ardor todo amor-próprio da alma; sois o Fogo que tira todo frio, que ilumina todas as inteligências e, pela vossa luz, me fizestes conhecer a verdade.
Dais ao olho humano luz sobrenatural em grande abundância e perfeição, e iluminais a própria luz da fé. É nessa fé que minha alma tem vida. Na luz da fé adquiro a sabedoria, na sabedoria do vosso Filho único; na luz da fé, tomo-me forte e constante persevero. Na luz da fé, espero que não me deixareis sucumbir no caminho… leve-me até o fim, pela intercessão de Santa Catarina de Sena!
2 comments Setembro 29, 2009
[everything is possible] inspiring development in mozambique
É com grande alegria que convido você a visitar o link do meu primeiro livro publicado nos Estados Unidos. Um livro independente, que mostra fotos sobre os projetos em que contribui quando estava em Moçambique – África. O titulo é “[everything is possible] inspiring development in mozambique”, que em portugues poderiamos traduzir como: [tudo é possivel] inspirando/motivando desenvolvimento em moçambique. Todas as fotos são de minha autoria. Imagens vividas, compartilhadas, cada uma com sua história própria, nada foi roubado, cada sorriso, cada gesto foi um amigo conquistado! Os textos também escritos por mim trazem um pouco do que é cada projeto seocial que experiênciei. Espero um dia traduzir tudo e publicar no meu saudoso Brasil brasileiro. Um obrigado especial a Jennifer A. Patterson (Canada) minha editora e amiga! E a todos aqueles que no amor e na fé estão proximo do meu coração!

The present work is an anthropological study examining the impact the project Ajuda e Desenvolvimento do Povo para o Povo (ADPP), or Development Aid from People to People (DAPP), has had on the lives of the people of Mozambique. Its theme: ®Development: it is about fostering new generations with golden hearts and heads and hands®. Maintaining a line of thought that believes in development through solidarity, this book attempts to manifest the singularity of sensitive knowledge and experience. It is a photographic essay that focuses on the personal aspects of daily life, transmitting in detail the emotion and subjectivity of its characters and the complex practical achievements of a development organization.
“There is great comfort in the knowledge that we can rely in people with golden hearts®” was the testimony of one of the beneficiaries, referring to his interaction with the projects of DAPP. It is in this context that our work arises, in the common wish to guarantee social development and to assist in the transformation of Mozambique into a glorious land.
4 comments Setembro 5, 2009
Recorda-me quem sou!

Ontem olhei para as minhas más inclinações com uma certa revolta. Percebi que ainda não me aceito como um ser limitado. Não aceito a dita humanidade cantada tantas vezes pelo poeta. Canções e poemas que dizem que o amor mais bonito que podemos viver é aquele que recorda quem agente é de verdade. Por alguns segundos me senti triste nessa manhã cinzenta, pois descobri que muitos dos processos de destruição que se instauraram dentro de mim foi porque eu me esqueci quem eu sou de verdade e não encontrei alguém por perto que me relembrasse isso. Quantas vezes somos vítimas das nossas próprias mentiras ou das mentiras que outros criam para nós? Isso acontece quando nos esquecemos de nós mesmos e quem somos verdadeiramente.
O que me impressiona na pessoa de Jesus é a capacidade que Ele tem de olhar para nós e nos lembrar quem somos realmente. Na capacidade que Ele tinha de olhar no meio da multidão e encontrar uma prostituta, que havia esquecido quem ela era, pois todo o mundo havia contado que ela era uma prostituta, e recorda-la quem ela é! Ninguém pode se tornar naquilo que faz. Ninguém tem o direito de transformar a sua vida no pecado que comete. Hoje determinei para minha própria vida que daqui pra frente quero recordar ao outro, aqueles que me cercam, quem eles verdadeiramente são.
2 comments Setembro 1, 2009
Uma carta aberta

Oi pessoal!
Tudo bem?
Bom estou escrevendo pra fazer mais uma atualização do que se passa nesse tempo. Um tempo novo onde estou vivendo as portas, a beira, acerca da graça. Onde o inesperado tem tomado o seu lugar e o novo de Deus tem sempre alcançado um ponto novo dentro de mim. Sabe que cadê dia mais vejo isso: O alcance de Deus dentro de mim. Já pensou nisso? Sabe, vivendo essas idas e vindas inesperadas que me ocorrem nos últimos 3 anos, percebo que tenho ultrapassado o meu limite. Na verdade não é o meu limite mas sim o limite que a minha humanidade me impõe, ou será que alguém me impõe? Muitos de nós temos um certo “limitador” digamos assim. Uns dos nossos limitadores são chamado de dinheiro, outros vaidade, outros apego as pessoas, outros pecados de estimação, que por sinal temos vários, outros namoro, família, escola, enfim… e o pior de todos, somos nós mesmos, afogados em nossos medos do fracasso. Sempre morri de medo de ser um fracassado. Imagina ter esse titulo “Rudney Novaes – O fracassado” um tanto pesado não é mesmo? Confesso que agora ao escrever pensei duas vezes antes de por as aspas. Mas quando nos livramos de nossa vaidades isso são apenas palavras que não causam efeito ou verdade pois é o nosso orgulho que nos fere e nos limita ir onde devemos ir, na fé e na busca continua pelo que Deus quer de mim e de você. O fracasso não existe para aqueles que assumem a sua própria história e ergue-se com firmeza em direção ao que se deve ser. Me recordo de uma conversa que tive com um jovem senhor no barco em direção a Belém do Pará, rio amazonas abaixo. Ele falava em tom poético e sua voz rouca, ferida pelo tabaco confessava-me do que não era capaz. E dizia-me: Não consigo correr por muitos quilômetros, não dou conta de pegar muitos pesos, não suporto ouvir muitas lamúrias, não tenho olhos para assistir por muito tempo, não tenho paciência bastante para não ser atacado pela ansiedade. Eu tentava interrompe-lo mas ele seguia com suas negações do que não era capaz ou não gostava. Eu lhe dizia assim: Sabe eu também não tenho força bastante para vencer as fraquezas, não sou devoto o bastante para passar horas em oração, não sou forte a ponto de vencer meus limites mas nem muito menos fraco para desistir das batalhas. É preciso seguir meu caro. Ele olhava fixo pra mim e balançava a cabeça pra baixo como quem negava as minhas afirmações.
Acho que tenho procurado os meus limites, não consegui chegar a nenhum deles. Apesar de não conseguir, tenho sido realista, mas não medroso. Tenho sofrido temores, tenho sentido um aperto no peito. Não sou muito forte, nem quero ser fraco, quero viver no limite. No limite da fé e no limite da dúvida… Não quero ter fé sem pensar e não quero duvidar de mais e perder a fé. No limite da força e no limite da fraqueza… Não quero ser forte demais e me achar um super herói mas também não quero ser um fraco que retrocede sob as pressões da vida.
Quero viver no limite do natural e não perder a visão daquilo que é a bela arte de Deus em sua amorosa forma de cuidar de mim, mas não quero ser cego ao sobrenatural, ao invisível. Quero também esse limite. Eu vou viver o limite, sem que ninguém me limite. Limite de amar, sonhar, ser feliz buscando descobrir quem sou e o que quero ser. Só serei feliz quando encontrar o equilíbrio para viver quem eu sou de verdade!
2 comments Agosto 20, 2009

